Recursos expressivos – Efeitos no Clarinete
por Michel Moraes
Muitas vezes ao ouvir um clarinetista tocar um rhythm & blues, jazz, choro ou peças de música contemporânea, podemos ouvir efeitos sonoros nos remetem à voz humana. Frullatos, glissandos, bendings e notas “fantasmas”, trouxeram uma nova gama de expressividade à música, seja erudita ou popular.

O primeiro efeito a ser tratado é o frullato – do italiano frullare, fazer rumor. Muitos clarinetistas tem me perguntado sobre como produzir esse efeito no clarinete. Eu conheço dois modos de fazer. Do primeiro modo, basta emitir um som com a garganta enquanto toca. Cante um “Uuuuu” grave soprando o clarinete. Isso vai fazer com que saia um frullato suave, bom para ser utilizado em passagens agudas e rápidas. A desvantagem desta maneira de fazer é que se você for gravar, e o trecho for muito exposto, há grande chance de aparecer a sua voz na gravação.
O outro modo de fazer o frullato é vibrando a língua no céu da boca. Ele vai sair um pouco mais agressivo, à maneira dos cantores de blues e soul. A desvantagem é que preciso muito cuidado com a afinação, pois tende a cair, talvez porque há a tendência a deixar um maior espaço na cavidade bocal para a língua vibrar.
trecho da "Fantasia Sul-américa" de Cláudio Santoro |
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trecho trancrito de um solo de Benny Goodman onde se usa 'bendings" |
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O glissando, do italiano glissare, deslizar sobre, consiste em tocar começando numa nota, terminando em outra mais grave ou aguda, sem se notar quebras entre elas. É um efeito utilizado muito utilizado por instrumentistas de cordas e cantores. No registro grave, tire os dedos dos furos do clarinete escorregando lateralmente, um a um, em sequência. No registro médio e agudo a partir do ré5, é necessário também relaxar bem garganta e a embocadura em sincronia ao movimento de dedos, depois ajustando até chegar à nota desejada. Pode ser notado na partitura com o termo gliss. sobre as notas ou com um traço.
trecho inicial de "Rhapsody in Blue" de George Gershwin |
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trecho de solo de Benny Goodman usando um glissando |
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As notas “fantasmas” são muito utilizadas no jazz, principalmente a partir do swing do final da década de 30, como um recurso para dar mais balanço à melodia. Para fazê-lo, encoste bem levemente a língua na palheta enquanto toca uma nota longa. Isso vai “abafar” o som. Tem que ter uma boa sensibilidade para fazer isso, pois como a palheta do clarinete é pequena, dependendo do modo que se faz, pode cessar o som. Depois de praticar assim você já poderá atacar mantendo a língua na palheta. É indicado na partitura como uma nota para percussão.
notas fantasmas |
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Cada instrumentista tem seu modo particular de tocar esses efeitos, não existe verdade absoluta, e falando sobre meu modo de fazê-los espero poder esclarecer quem esteja com dificuldade em fazê-los, bem como mostrar uma nova para quem já conhece.
Agora é só praticar, e note que cada registro apresenta uma dificuldade.
Bons estudos!