O passo seguinte da evolução do clarinete foi a adaptação ao clarinete do sistema Boehm.
Tal como referi anteriormente, a introdução e padronização do sistema Bohem decorreu a partir da adaptação do sistema usado na flauta (cuja criação é atribuída a Theobald Boehm).
A ideia básica deste sistema é que a colocação dos orifícios do instrumento é feita mais em função de critérios de conforto de execução do que acústicos (os orifícios dos clarinetes anteriores ao sistema Boehm não eram projectados para facilitar o manuseamento mecânico das mãos). Desta forma, a utilização das chaves para abertura e fechamento dos orifícios tem grande importância, ajudando a superar as dificuldades mecânicas. O clarinete boehm é hoje em dia composto por 17 chaves.
Este sistema foi aplicado não apenas no clarinete, mas também no oboé e no saxofone. Um sistema híbrido é ainda utilizado no fagote.









O Período Romântico
O Romantismo pode ser considerado como o período no qual o clarinete adquiriu a sua identidade e maturidade enquanto instrumento.
Nos períodos anteriores, a presença do clarinete no conjunto das obras musicais então escritas era claramente rudimentar ou inexistente. O chalumeau (predecessor do clarinete) surgiu por volta dos séc. 16/17 e teve poucas peças escritas para ele. Com a invenção do clarinete já no Período Barroco, o repertório para ele era quase inexistente. No Periodo Classico, os compositores começaram a introduzi-lo na orquestra sinfonica, escrevendo partes de tutti e pequenos solos, quase sempre em dobra com outros instrumentos. Inicialmente os maiores divulgadores do instrumento eram os próprios clarinetistas, como J.X. Lefévre, que compunham peças para eles mesmo executarem.